Não penso que o fim
será estrondoso.
Fim é sempre
silencioso.
Tal como lágrimas
ao caírem no chão,
uma paz
na noite
que aparentemente
oculta o
inferno.
O silêncio toca uma única
canção
muda e perigosa,
com efeito,
não de brisa do verão (calma),
mas como geada do inverno. (Estrondosa)
Andressa Liz
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
O Poeta das Ignorãças
Voava fora da asa
em cada mergulho na poesia.
Ensinava a voz das pedras,
inventava palavras,
e apenas o que era inventado podia ser verdadeiro.
Em sua carapaça de caramujo
enxergava horizontes
nas palavras que tecia sobre incompletudes.
Dizia estar sem eternidades,
mesmo em cada rascunho eternizando-se nas palavras.
Amanhecia folhas
entardecia rios,
como peixe,
morreu passarinho.
Andressa Liz
Manoel de Barros, 19 de dezembro de 1916 - 13 de novembro de 2014
em cada mergulho na poesia.
Ensinava a voz das pedras,
inventava palavras,
e apenas o que era inventado podia ser verdadeiro.
Em sua carapaça de caramujo
enxergava horizontes
nas palavras que tecia sobre incompletudes.
Dizia estar sem eternidades,
mesmo em cada rascunho eternizando-se nas palavras.
Amanhecia folhas
entardecia rios,
como peixe,
morreu passarinho.
Andressa Liz
Manoel de Barros, 19 de dezembro de 1916 - 13 de novembro de 2014
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Então Pronto
Quando escutei os sinos baterem
já percebi que era o outro dia
de ressaca
a única coisa que ouvia
eram gritos
choros.
E me dava conta
de que não poderia
voltar no tempo.
Mas pensei logo que
se o tempo ajudou a construir
talvez o mesmo
ajude a curar.
Desculpas,
eu devia.
Isso é tudo,
mas o perdão
nunca vem de imediato.
Desculpas,
então,
pronto.
Andressa Liz
já percebi que era o outro dia
de ressaca
a única coisa que ouvia
eram gritos
choros.
E me dava conta
de que não poderia
voltar no tempo.
Mas pensei logo que
se o tempo ajudou a construir
talvez o mesmo
ajude a curar.
Desculpas,
eu devia.
Isso é tudo,
mas o perdão
nunca vem de imediato.
Desculpas,
então,
pronto.
Andressa Liz
Submergir sob silêncios em substâncias das estâncias submersas
Aprendi a ter raiva do silêncio
pois na candura das palavras
encontro conforto
Na ausência
eu sinto solidão.
Por isso a candura do silêncio
só existe quando breve
no momento em que olho nos olhos
no momento em que abraço
e me abstenho de palavras.
O silêncio bom quando efêmero
torna-se martírio quando permanece.
As palavras não ditas sufocam,
me fazem preferir a morte pela doença do risco
do que afogada em mágoas e receios
que dentro de nós perecem.
Andressa Liz
pois na candura das palavras
encontro conforto
Na ausência
eu sinto solidão.
Por isso a candura do silêncio
só existe quando breve
no momento em que olho nos olhos
no momento em que abraço
e me abstenho de palavras.
O silêncio bom quando efêmero
torna-se martírio quando permanece.
As palavras não ditas sufocam,
me fazem preferir a morte pela doença do risco
do que afogada em mágoas e receios
que dentro de nós perecem.
Andressa Liz
sábado, 8 de novembro de 2014
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Remorso
Meu amor não esperou
de tanto a queimar
virou cinzas.
Eis que o tempo esperava
a mudança que horas não via
e enclausurou-me
nessa dita opressão.
Não se justifica apenas com palavras,
nem sentimentos serão suficientes
É como perder o guarda-chuva
no meio da tempestade
estar ciente
e trair duas vezes o amor
quando delas pouco importa
a verdade.
Andressa Liz
de tanto a queimar
virou cinzas.
Eis que o tempo esperava
a mudança que horas não via
e enclausurou-me
nessa dita opressão.
Não se justifica apenas com palavras,
nem sentimentos serão suficientes
É como perder o guarda-chuva
no meio da tempestade
estar ciente
e trair duas vezes o amor
quando delas pouco importa
a verdade.
Andressa Liz
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Uneverso
As grafias que
rompem as barreiras
da tua galáxia
soam pertinentes como
a anatomia das estrelas
no céu
pontilhadas
onde no descobrir de traços
do teu corpo
imerge um bater de asas
do sufoco
daí surgem as palavras
enquanto tu quando voa
para longe
me leva através
de uma viagem
no tempo
distorcido
através do cosmos.
Andressa Liz
rompem as barreiras
da tua galáxia
soam pertinentes como
a anatomia das estrelas
no céu
pontilhadas
onde no descobrir de traços
do teu corpo
imerge um bater de asas
do sufoco
daí surgem as palavras
enquanto tu quando voa
para longe
me leva através
de uma viagem
no tempo
distorcido
através do cosmos.
Andressa Liz
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